Relicário: João Gilberto (Ao Vivo no Sesc 1998) é um álbum póstumo do músico brasileiro João Gilberto, lançado em 26 de abril de 2023 pela gravadora SESC.
Contexto Na noite de 5 de abril de 1998, o músico João Gilberto, considerado um dos fundadores da bossa nova, se apresentou na unidade do Sesc Vila Mariana, localizada no bairro de mesmo nome na cidade de São Paulo, para um público de 645 pessoas, em um show com voz e violão. O show foi uma das duas apresentações que João fez no SESC para comemorar o 40o aniversário do álbum Chega de Saudade. O concerto passou por um processo de remasterização. De acordo com Wagner Palazzi, diretor de produções audiovisuais do SESC, em entrevista à jornalista Alana Gandra, da Agência Brasil, ele afirmou que este é um projeto para preservar a memória da instituição e da cultura brasileira, e confirmou que havia obtido autorização para o álbum dos três filhos de João, e que a cantora Bebel Gilberto, filha do meio de João com a cantora Miúcha, foi responsável pela supervisão artística do álbum. O lançamento do álbum também tem como objetivo comemorar o 25o aniversário da apresentação de João no SESC. O álbum traz uma versão inédita da canção “Rei sem Coroa”, que João Gilberto costumava apresentar em shows, mas nunca havia gravado oficialmente. A canção Rei sem Coroa foi composta por Herivelto Martins e Waldemar Ressurreição, inspirada na história do rei Carlos II da Romênia, que foi morar no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, após ser forçado a abdicar do trono durante a Segunda Guerra Mundial.
Faixas
Lançamento O álbum foi lançado em formato digital em 26 de abril de 2023. Posteriormente, o álbum foi lançado em formato de CD duplo e de conjunto de três discos de vinil.
Recepção O jornalista e crítico musical Mauro Ferreira, em seu blog no G1, atribuiu ao álbum 5 de 5 estrelas. Ao elogiar o álbum, Ferreira afirmou: “Cada apresentação de João Gilberto era sempre única, como uma peça de teatro — extremamente bem ensaiada, mas diferente a cada show. A bossa nova era sempre nova. [...] Em suma, o álbum é um artefato precioso de valor inestimável para qualquer pessoa que sempre apreciou João Gilberto Prado Pereira de Oliveira, o homem que tornou extraordinário o que, em outras vozes e em outros violões, poderia ter sido meramente trivial.” Em sua coluna no jornal Folha de S. Paulo, o jornalista Mário Sérgio Conti fez uma crítica positiva ao álbum, escrevendo: “‘Relicário’ é exatamente isso. Ele revive e reinterpreta sambas — sejam eles há muito esquecidos ou bem conhecidos, sublimes ou cafonas — e lhes confere novo brilho e significado histórico, de modo que falem à sensibilidade contemporânea, tanto individual quanto social.” O jornalista e escritor Luiz Felipe Carneiro descreveu o CD como “duas horas de puro deleite auditivo”.
Prêmios O álbum foi indicado na categoria “Melhor projeto especial” do Prêmio da Música Brasileira de 2024. Em uma cerimônia realizada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o álbum foi o grande vencedor da noite em sua categoria, superando trabalhos de músicos como Wilson das Neves, Chico César e Geraldo Azevedo.
Referências