Segundo turno, que reelegeu o presidente Lula, teve uma prorrogação do horário de votação até as 19h para urnas que ainda não tinham fechado

26 out 2026 - 12h54

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- Por: Marcela Coelho

Ministro Kassio Nunes Marques (no centro) fez o encerramento do 2º turno das Eleições 2026 - 25/102026

Foto: Leobark Rodrigues/TSE

O segundo turno das eleições de 2026, que reelegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), teve uma prorrogação do horário de votação, estendido até as 19h (pelo horário de Brasília) de domingo, 25. Para especialistas consultados pelo Terra, esse é mais um capítulo de um pleito marcado pelo protagonismo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Durante a tarde de ontem, a campanha de Lula formulou um pedido para que o horário de votação fosse ampliado em algumas localidades após notícias sobre frotas de ônibus reduzidas em cidades como São Paulo (SP) e Salvador (BA). Em seguida, a campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL) protocolou um pedido no mesmo sentido abrangendo municípios de vários estados. Nesse caso, o motivo alegado foram as chuvas e alagamentos nas cidades que dificultaram a chegada do eleitor às urnas.

Até as 17h, horários em que as urnas começaram a ser fechadas, o TSE ainda não havia se manifestado sobre os pedidos. Poucos minutos depois, o ministro Cristiano Zanin, do STF, determinou que o horário fosse prorrogado até as 19h em todo o Brasil. No entanto, como parte das urnas já haviam sido fechadas, ele decidiu, que somente as urnas que ainda estivessem abertas assim permanecessem até 19h. No meio disso, a apuração dos votos já havia começado, mas foi interrompida e retomada após o novo horário.

"De certa maneira, houve uma interferência, os advogados eleitoralistas se irritaram muito com a decisão do ministro Zanin, mas essa decisão vem numa sequência de questões que devem ser lembradas: a retirada de frota de ônibus, a demora do ministro Kassio Nunes [Marques, presidente do TSE] que decidiu por não decidir e depois a reação do Zanin, que muitos dizem ter sido irresponsável e desastrosa", analisa Rodrigo Prando, cientista político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

"No geral, acho que é mais um capítulo e me parece que haverá uma discussão porque o Flávio, no fim da votação, já na condição de derrotado, não reconhece o resultado da eleição e diz que vai pedir a anulação. Acho pouco provável que isso [a anulação] ocorra, os especialistas assim afirmam, e o próprio ministro Kassio Nunes Marques proclamou o resultado da eleição", acrescenta Prando.

Segundo o professor, essa é uma situação que, de certa maneira, "vai macular" a eleição, mas ele pontua que a "mácula" vem em outras questões. "Dessa vez, houve uma demora e uma decisão, que, obviamente, muitos entendem ser atabalhoada, mas que foi dada a partir do momento em que a Justiça é provocada. Eu não diria que é o ápice da interferência, mas é mais um capítulo e agora a gente vai aguardar o desdobramento dessa questão, que foi judicializada", destaca o professor.

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Decisão em um contexto de desgaste acelerado

Na avaliação de Mayra Goulart, coordenadora do Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada (LAPPCOM) e professora de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), quando o TSE demora muito para responder os pedidos das duas campanhas, a de Lula e a de Flávio, para expandir o tempo de votação, o tribunal precipita algo que é muito ruim para a democracia brasileira: uma decisão monocrática de um ministro do STF intervindo na dinâmica eleitoral.

A especialista lembra ainda que isso acontece após o Supremo já ter sido objeto de muita atenção durante a campanha e em contexto "de um desgaste muito acelerado", na qual as relações políticas dos ministros foram muito exploradas ao longo desse processo. Além disso, ela diz que ontem foi uma eleição que teve problemas de mobilidade urbana, mas que têm correlação política.

"Essa decisão monocrática é uma decisão que, pelo menos, poderia ser uma decisão unânime do Supremo. Porque daria mais legitimidade, mas o Supremo também está rachado e ativado politicamente no mau sentido, o que é muito ruim num contexto em que a democracia depende das Cortes Supremas para evitar que direitos constitucionais, que a liberdade democrática seja aviltada pelo extremismo de direita", comenta a especialista.

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Relembre as 'guerras' de decisões de ministros no 1º e 2º turnos

Em uma eleição polarizada como a deste ano, tanto a crise institucional instalada no STF no primeiro turno das eleições quanto o embate entre ministros do TSE, com uma sequência de decisões divergentes, durante a campanha do segundo turno, foram outros momentos de protagonismo dos tribunais no pleito.
Recentemente, em 11 de outubro, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do canal do WhatsApp 'Exército do Lula', administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A decisão foi tomada após um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que argumentou suposta disseminação de desinformação. Depois, o ministro da Corte Ricardo Villas Bôas Cueva, atual corregedor-geral da Justiça Eleitoral, derrubou a ordem e determinou o restabelecimento do canal.
Dias depois, Nunes Marques voltou a suspender o canal e condicionou o funcionamento ao registro formal junto à Justiça Eleitoral. Após a formalização do endereço eletrônico, ainda foi dado um prazo de 48 horas para o restabelecimento. Depois da série de decisões conflitantes, Cueva solicitou que o impasse fosse levado ao plenário.
Já antes do primeiro turno das eleições, uma crise sem precedentes se instalou no STF, envolvendo os ministros da Corte. Na ocasião, André Mendonça tornou público o relatório da Polícia Federal (PF) que compilou mensagens entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Como reação, Moraes fez um pedido de investigação contra Mendonça pela atuação do colega na condução das Operações Sem Desconto -- sobre fraudes no INSS -- e Compliance Zero -- sobre Banco Master. Depois, a crise se escalou, com uma série de decisões divergentes entre outros ministros.
Especialistas anteriormente ouvidos pelo Terra avaliaram que essas disputas de decisões judiciais tendem a ser interpretadas pelos apoiadores de cada candidato de acordo com as convicções que já possuem. Eles avaliam que o principal efeito disso pode ocorrer na construção de narrativas políticas. Além disso, as controvérsias intensificam o debate sobre a imparcialidade da Justiça Eleitoral e os limites de atuação.
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Fonte: Portal Terra
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