António Fernando Ribeiro Cabral, mais conhecido como Fernando Cabral (Lisboa, 27 de Fevereiro de 1900 — 10 de Novembro de 1976), foi um maestro, violinista e professor de música português. Foi professor de Canto Coral, de Violino e de Orquestra, director do Orfeão Scalabitano, maestro da Orquestra de Câmara da Sociedade Nacional de Música de Câmara e regente da Orquestra Sinfónica de Lisboa, agrupamento que formou em 1953.

Biografia Fernando Cabral nasceu em Lisboa, a 27 de Fevereiro de 1900. Estudou no Conservatório Nacional de Música de Lisboa, onde teve como professores Tomás Borba, Júlio Cardona e Luís de Freitas Branco. Mais tarde, subsidiado pelo Instituto para a Alta Cultura, realizou estágios de direcção de orquestra na Alemanha, Áustria, Bélgica e França. Como professor, leccionou Canto Coral nos liceus Passos Manuel, em Lisboa, e Rodrigues Lobo, em Leiria, e Violino e Orquestra na Academia de Amadores de Música, onde foi professor de violino de David Wahnon.

Carreira musical Enquanto violinista, Fernando Cabral realizou numerosos recitais. Apresentou-se em vários concertos com o pianista e compositor António Fragoso, no centro e norte de Portugal. Em 1917, António Fragoso promoveu na Academia de Amadores de Música um sarau musical em sua honra, no qual recebeu um violino. Foi concertino e solista da Orquestra Sinfónica do Politeama, dirigida por Joaquim Fernandes Fão, e maestro da Orquestra de Câmara da Sociedade Nacional de Música de Câmara. Teve papel de relevo no desenvolvimento do movimento coral-sinfónico em Portugal, referindo que fez executar pela primeira vez no país, em 1928, a Missa Solene, de Beethoven, e que recuperou, em 1939, a cantata Primavera, de Alfredo Keil. Em Leiria, organizou e dirigiu uma orquestra sinfónica e um orfeão. Foi também director do Orfeão Scalabitano e, em 1953, documentando-se pelo menos três concertos do orfeão sob a sua direcção. Cruzou-se com Fernando Lopes-Graça no meio musical português e colaborou nos concertos da associação Sonata. Embora existam poucas referências directas à relação entre os dois músicos, Cabral foi professor na Academia de Amadores de Música, espaço em que Lopes-Graça dirigia o coro da instituição. É descrito por António Corvêlo de Sousa como «um grande músico», destacando a influência dos serões musicais em que participou durante a formação musical de Lopes-Graça.

Orquestra Sinfónica de Lisboa Esteve particularmente ligado à Orquestra Sinfónica de Lisboa, que formou em 1953. Cabral foi regente da orquestra, realizando numerosos concertos nas temporadas promovidas pela autarquia. A Orquestra Sinfónica de Lisboa, sob a sua direcção, participou nos concertos Lisboa e a Música, organizados em 1962 por encomenda da Câmara Municipal de Lisboa para estrear poemas sinfónicos dedicados à história e à vida da cidade. Entre essas obras esteve O Terramoto de Lisboa, de Armando José Fernandes, estreado em 1962 no Pavilhão dos Desportos, actual Pavilhão Carlos Lopes, com a Orquestra Sinfónica de Lisboa dirigida por Fernando Cabral. A gravação dessa primeira audição integra o arquivo da RTP, no programa Concerto de Música Portuguesa.

Discografia Em 1997, a editora Portugalsom/Strauss publicou o CD Fernando Cabral conducts Mozart Luís de Freitas Branco Schumann Wagner, registado no catálogo do Centro de Investigação & Informação da Música Portuguesa.

Homenagens Em 2001, a Câmara Municipal de Lisboa aprovou por unanimidade a atribuição do topónimo Rua Fernando Cabral a uma rua da Quinta de São João Baptista, na freguesia da Ameixoeira, em Lisboa. Em 2007, a Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa publicou a obra Fernando Cabral: maestro: 1900-1976, da autoria de Isménia Neves, António Trindade, Jorge Pereira da Silva e Paula Levy.

Referências

Ligações externas Concerto de Música Portuguesa, RTP Arquivos Fernando Cabral conducts Mozart Luís de Freitas Branco Schumann Wagner, Centro de Investigação & Informação da Música Portuguesa Fernando Cabral: maestro: 1900-1976, Fonoteca Municipal de Lisboa