Fim das bets: 'Clubes não conseguem se livrar dos custos da noite para o dia', diz especialista

Crédito: Marcel Rizzo

No mundo em que todos precisam ser contra ou a favor de alguma coisa, quem fica no meio apanha de todo lado. As bets foram proibidas — a história da vez. Tenho pena das casas de apostas em si? Nenhuma. Estão certos o método e o motivo, por óbvio eleitoreiro, que o presidente Lula escolheu? Também não. E agora aparecem as consequências do rompante, para a gente analisar e apanhar.

A publicidade das bets irriga todo o sistema esportivo. Fala-se muito do patrocínio ao clube de futebol, que subitamente ficou sem parte da receita para fechar o ano, mas nenhum deles, do Flamengo à Ponte Preta, vai fechar as portas. Quem dera o problema acabasse aí, mas a propaganda não se limita a essas entidades.

FUTEBOL TV Two friends holding smartphone with sports bets app while watching football match at home in living room. Foto: Adobe Stock

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No jornalismo esportivo, esta semana registrou as primeiras demissões e os primeiros fechamentos de veículos. Profissionais que não faturam como o Neymar, não têm caixa como a Globo e estão pagando a conta pelas decisões de quem está no comando das empresas e de quem está no governo federal.

Para não parecer que as empresas de comunicação são coitadinhas, vejamos um caso concreto. Anos atrás, em 2023, o grupo francês North Star Network chegou ao Brasil e comprou uma série de veículos esportivos — Trivela, Superesportes, UmDoisEsportes. Fora vários erros cometidos na gestão desde o princípio, agora que a bet miou, o cenário piora muito. Mais gente de lá já acaba de ser demitida.

O modelo de negócios dos caras é bem simples: gerar conteúdo esportivo aos montes, caçar clique e levar audiência para o banner da casa de aposta. Péssimo, deixo minha opinião. A necessidade de views emporcalha o ambiente com muito conteúdo ruim. Do ponto de vista do negócio, agora se vê que o resultado é ainda pior. Como a empresa dependia de bet para viver, sem bet ela fecha as portas.

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O governo tem o direito legítimo de atacar o mercado das apostas, mas, se não estivesse movido pelos votos no domingo, teria feito melhor se tivesse colocado restrições e dado um prazo de transição. Não exatamente pelo Flamengo e pela Ponte Preta, ou por empresas com terríveis modelos de negócios, mas porque no final da linha tem gente que, até então empregada, vai sangrar por meses.
Apostas precisam ser mantidas a todo custo, em nome dos empregos que elas sustentam? Claro que não. Bets são problemáticas em várias camadas: saúde pública, envolvimento com crime e contravenção. Mas não se muda a regra de um dia para o outro. O método só gerou uma série de efeitos negativos — para não falar na percepção de insegurança sobre empreender e trabalhar no Brasil.
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