O Ministério Público Eleitoral (MPE) considerou, nesta segunda-feira (28/9), que há indícios de crime na conduta do funcionário George Marques, do Palácio do Planalto, e pediu a adoção de medidas cautelares contra ele por causa da divulgação de conteúdo relacionado ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) na polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida.No entanto, o MPE manifestou-se pelo não acolhimento do pedido de prisão preventiva do funcionário, solicitado pela defesa de Flávio Bolsonaro.No parecer, o MP pediu que o perfil de Marques no X, seja suspenso até o fim das eleições 2026. Caso haja segundo turno, a medida deverá permanecer até o encerramento dessa etapa. Se a disputa terminar no primeiro turno, a suspensão seguiria até o fim da votação.O órgão também pediu que George fique proibido de utilizar redes sociais durante o mesmo período. A medida inclui a proibição de criar novos perfis, usar contas de terceiros ou recorrer a outras pessoas para continuar publicando conteúdos em seu nome e contornar a eventual decisão judicial.Na notícia-crime, Flávio também pediu que George Marques fosse suspenso do exercício da função pública. O MPE manifestou-se pelo não acolhimento da medida.As medidas foram solicitadas no âmbito da notícia-crime apresentada pela campanha de Flávio, que pediu a prisão preventiva de George e mandados de busca e apreensão.Entenda o casoPublicações passaram a circular nas redes sociais associando Flávio Bolsonaro a uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.O coordenador-geral de Estratégia e Informação da Presidência republicou uma publicação relacionada ao assunto em seu perfil no X.O conteúdo compartilhado afirmava: “Parem de divulgar a retratação. Deixem o assunto rolar. Continuem compartilhando que Nossa Senhora foi atacada, precisa chegar no interior do Nordeste, no interior do Norte.”A republicação foi posteriormente excluída. Marques afirmou que não se lembrava de ter feito o compartilhamento e que, caso tivesse ocorrido, teria sido por engano.A equipe jurídica de Flávio considera que a republicação também configura divulgação do conteúdo e levou o caso ao Ministério Público Eleitoral.A campanha pediu a prisão preventiva de Marques e mandados de busca e apreensão. O Ministério Público, porém, se manifestou pela adoção de medidas cautelares, como a suspensão temporária do perfil do funcionário e a proibição de uso de redes sociais durante o período eleitoral. Leia também São PauloFlávio recua após ataque à CNBB e ergue imagem de Nossa Senhora Aparecida Manoela AlcântaraFlávio vai ao STF para anular decisão de Dino sobre posts de Nossa Senhora BrasilFlávio pede prisão de funcionário do Planalto por polêmica de Nossa Senhora Igor GadelhaApós polêmica com Flávio, Janja aparece usando medalha de Nossa Senhora De onde surgiu o boatoA origem da informação está relacionada a um comentário exibido na quinta-feira (24/9), durante um programa de televisão que discutia a disputa eleitoral e o comportamento do eleitorado religioso.Na ocasião, foi mencionada uma suposta articulação para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A fala original, porém, não atribuía a iniciativa a Flávio Bolsonaro.Após a transmissão, o trecho passou a circular nas redes sociais acompanhado da afirmação de que o candidato do PL pretendia retirar ou apoiava a retirada do título.A emissora responsável pelo conteúdo publicou uma correção e pediu desculpas pelo erro na madrugada de sexta-feira (25/9). O episódio, no entanto, continuou sendo compartilhado nas redes.Projeto de 2007A discussão também recuperou um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli. A proposta previa mudanças na legislação relacionada ao feriado de 12 de outubro e sugeria alterar a referência a Nossa Senhora Aparecida como “padroeira do Brasil” para “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.O projeto não foi apresentado por Flávio Bolsonaro e foi arquivado em 2008. Galli chegou a atuar no governo Jair Bolsonaro como assessor especial da Presidência.Flávio nega que tenha qualquer plano de alterar o título de Nossa Senhora Aparecida e afirmou nas redes sociais que a informação é falsa.“Que eu iria tirar a padroeira do Brasil. Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto.”A apuração sobre a conduta de George Marques agora será analisada pela Justiça Eleitoral, que deverá decidir sobre os pedidos de medidas cautelares apresentados no processo.

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