Ex-diretor acusa Uefa, Concacaf e AFC de ‘agenda oculta’ contra a Fifa

Em entrevista ao ‘Estadão’, Véron Mosengo-Omba defende presidente da Fifa, com quem estudou na Suíça e rebate acusações.

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A Fifa vai apresentar às federações filiadas um plano de US$ 6 bilhões (R$ 30,16 bilhões) para o desenvolvimento do futebol no quadriênio 2027-2030. A quantia é mais do que o dobro do que estava previsto para o período. Pouco mais da metade do valor terá origem nas reservas financeiras da entidade, que superaram expectativas após a Copa do Mundo de 2026. A ideia deve agradar opositores, que já sugeriam proposta semelhante.

Cada uma das associações-membro receberia US$ 25 milhões (R$ 125,68 milhões) neste planejamento. O previsto para os próximos quatro anos era de US$ 10 milhões (R$ 50,27 milhões) a cada, além de US$ 99 milhões (R$ 497,68 milhões) por confederação continental. Os números foram antecipados pelo norte-americano The Athletic e confirmados pelo Estadão.

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A reserva da Fifa ao final do ciclo 2023-26 é estimada em US$ 6 bilhões (R$ 30,9 bilhões). A entidade atribui isso ao que entende como “sucesso comercial” da Copa do Mundo na América do Norte.
A Copa do Mundo de 2026 rendeu US$ 15 bilhões (R$ 75,41 bilhões) à Fifa. A projeção inicial era de US$ 11 bilhões (R$ 55,30 bilhões) e chegou a ser revisada para US$ 13 bilhões (R$ 65,35 bilhões).
Dos US$ 6 bilhões do novo plano, cerca de US$ 3,5 bilhões serão cobertos pelas reservas da Fifa. A ideia de utilizar parte desse valor para aportes maiores às filiadas “une” opositores na política do futebol mundial.
Gianni Infantino tem caminho aberto para reeleição e deve agradar até opositores com novo plano. Foto: Werther Santana/Estadão
A sugestão havia sido citada pelos vice-presidentes Aleksander Ceferin e Victor Montagliani, que também comandam, respectivamente, Uefa e Concacaf. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, já tinha respondido em sinalização de que atenderia ao pedido, inclusive solicitando mais sugestões de como colocar um plano como esse em prática.
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Ceferin e Montagliani falaram na sugestão como contraponto à Fifa Forward Enterprise (FFE), subsidiária proposta por Infantino para receber investimento privado. O plano foi o estopim de uma crise na Fifa e acabou arquivado.
A ideia de distribuição maior deve ser apresentada na reunião do Conselho, nesta quinta-feira, 15. Se aprovado, o plano será estruturado para ser levado novamente ao grupo em dezembro. Depois, em março, a proposta seria formalizada no Congresso, que também elegerá o próximo presidente.
Mesmo com a crise instaurada nos últimos meses, nenhum dos opositores de Infantino estruturou uma candidatura para tentar derrotá-lo. O atual presidente tem o caminho aberto para conquistar o quarto mandato.
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Cada um dos 211 países filiados tem direito a um voto de peso igual. As confederações, apesar de tomarem posições em discussões, não votam.
Se a eleição presidencial da Fifa tiver dois postulantes, é necessária maioria simples (50% + 1) entre os votos válidos (106). No caso de três ou mais candidatos, é preciso obter dois terços dos votos válidos (140) em um primeiro turno. Caso contrário, quem tiver o menor percentual de votos é eliminado até que restem dois, que disputam por maioria simples.
A Fifa conhecerá os candidatos à eleição presidencial da entidade até 18 de novembro, prazo para inscrições de candidaturas.
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