O Bre-B, sistema de pagamentos instantâneos da Colômbia, alcançou 83% dos adultos do país em apenas um ano de operação. Lançado em outubro de 2025, o serviço atingiu o mesmo nível de adoção que o Pix levou quase três anos para alcançar no Brasil.

Continua após a publicidade

A velocidade chama atenção porque o Bre-B não criou uma infraestrutura do zero: conectou sistemas privados que já existiam na Colômbia. A estratégia ajudou a levar o serviço a 36 milhões de usuários ativos em um país com cerca de 40 milhões de adultos.

Em vez de criar um trilho do zero, como aconteceu com o nosso Pix, o sistema colombiano conectou redes privadas pré-existentes como Transfiya e EntreCuentas. – Crédito: Blossom Stock Studio/Shutterstock

A arrancada que deixou o Pix para trás

O contraste fica mais claro na comparação com o Brasil. Após 12 meses de funcionamento, o Pix era usado por 65% dos adultos. Para chegar aos 83% alcançados pelo Bre-B, levou quase três anos.

Os dados são de uma análise do Ebanx, baseada em informações dos bancos centrais dos dois países e dados populacionais da ONU e do IBGE. A plataforma colombiana já reúne 115,6 milhões de chaves cadastradas, número superior ao de usuários porque uma mesma pessoa pode ter mais de uma chave.

A diferença está na origem da infraestrutura. Em vez de substituir os sistemas existentes, a Colômbia integrou redes privadas como Transfiya e EntreCuentas, que funcionavam de maneira isolada.

Uma grande diferença do Bre-B para o Pix é que eles não criaram um sistema totalmente novo. Basicamente, na Colômbia existiam diferentes diretórios, que é o nome que eles usam, mas são diferentes sistemas de pagamentos, que funcionavam bem, mas de forma muito isolada.

Sebastian Fantini, diretor de produto do Ebanx, em nota.

O salto no comércio eletrônico

A adoção também começa a aparecer no varejo online. O Bre-B registra mais de oito milhões de transações por dia e já movimentou quase US$ 80 bilhões desde o lançamento.

Leia mais:

- Pix por aproximação não tem mais limite de R$ 500; entenda a regra

- Pix: transações caem 10% após proibição de bets

- Pix reduz tempo de reação dos bancos e aumenta papel da IA contra fraudes
Um teste conduzido pelo Ebanx com um grande varejista online mostrou o potencial desse uso. A opção foi liberada para 5% dos clientes e gerou aumento incremental de 5% na receita sobre US$ 300 mil em volume de pagamentos ao longo de três semanas. No checkout, a conversão passou de 20% para 50%, e 45% dos consumidores que escolheram o Bre-B nunca haviam comprado naquele varejista.
A experiência também pesa porque o sistema chegou a um mercado no qual apenas 24% dos adultos possuem cartão de crédito.
“O fator-chave foi a experiência do usuário, garantir que ela seja muito fluida, muito simples. Não adianta você só tornar isso obrigatório para as instituições financeiras, se depois o usuário, que é quem vai trazer a adoção em massa, nem conhece o sistema ou enfrenta muita fricção”, afirma Fantini.
O Bre-B avança em um mercado onde apenas 24% dos adultos possuem cartão de crédito, segundo os dados citados pelo Ebanx. – Imagem: Urbano Creativo/Shutterstock
Continua após a publicidade
O que vem pela frente
O uso do Bre-B ainda está concentrado entre pessoas físicas: cerca de 85% do volume é P2P, enquanto pagamentos de consumidores para empresas representam entre 12% e 15%. No Brasil, a trajetória foi diferente. Em setembro, 46% das transações Pix foram de pessoas para empresas.
A expansão colombiana agora deve passar por novos casos de uso:
- Pagamentos recorrentes;
- Transferências em lote para folhas de pagamento;
- Pagamentos de impostos e serviços públicos;
- Desembolsos de subsídios.
O Bre-B ainda está no início de sua trajetória. A expectativa do Ebanx é que a infraestrutura conectada permita incorporar novos serviços e ampliar o uso dos pagamentos instantâneos no país.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
Ver todos os artigos →
Tags: bre-b colômbia pagamentos instantâneos pix


