Berta Wainstein de Gerchunoff
Berta Wainstein Gerchunoff (1885-1974) foi escritora, professora da Universidade Popular Socialista, feminista, socialista e líder sionista, atuante na defesa dos direitos das mulheres e das crianças na Argentina nas primeiras décadas do século XX. Filha mais velha do empresário alemão Benzión Wainstein (1825-1911) e de Paulina Wainstein. A família migrou para a Argentina em 1890, no contexto da promulgação da Lei Nacional de Imigração de 1876. Seu pai foi cônsul do Império Alemão, da Argentina, do Chile e do Equador.
Infância e juventude A família de Berta Wainstein de Gerchunoff estabeleceu-se ao sul da província de Córdoba, dedicando-se à criação de ovelhas. Berta era poliglota, dominava o iídiche, o russo e o espanhol. Aos doze anos, Berta mudou-se para Rosário, onde ingressou na Escola Normal e formou-se como professora primária (1908). Após a morte de sua mãe, por volta de 1903, mudou-se para Buenos Aires com o irmão, Alejandro, e concluiu seus estudos no Instituto del Profesorado núumero 1, obtendo o título de professora do ensino médio. Em 1908, casou-se com o pediatra Abraham Gerchunoff, que era familiar do escritor Alberto Gerchunoff. Berta teve dois filhos: Raúl (1909) e Paulina (1911).
Trajetória intelectual e política A partir de 1908 trabalhou como professora em várias escolas públicas de ensino médio, incluindo a Escola Normal em Rosário (Argentina) e o Instituto Fémina mais tarde chamado, Comercial número 2. Em 1909 ingressou no Centro Socialista Feminino da Argentina onde foi militante junto a Alicia Moreau e Adela Salaberry (1889-1965). Dedicou-se ao ativismo socialista, com ênfase em atividades pedagógicas voltadas à educação feminina. Filiou-se ao Partido Socialista Argentino, ao lado de Alberto Gerchunoff. Em 1909, ingressou no Centro Socialista Femenino e, no ano seguinte, co-fundou o Ateneu Popular, instituto educacional de trabalhadores, juntamente com Alicia Moreau e Armand Moreau. Em 1910 lecionou na Sociedade Luz, uma universidade popular socialista. Sua ação também se estendeu na luta pelo sufragismo feminino. Ademais, foi militante, tesoureira e presidenta da União Feminista Nacional. No início da década de 1920, Gerchunoff, tornou-se uma colaboradora regular do Fortitudo, uma revista de educação física, na qual publicou textos de incentivo às mulheres para a prática de esportes e ginástica. Também fez parte da revista Nuestra Causa, inicialmente, integrou “o núcleo de feministas intelectuais” formado por Lola Salinas Bergara de Bourguet (1876-1939), Adelia Di Carlo, María Teresa de Basaldúa, Julia García Games (1899-1964), Miss Udny e a engenheira Elisa Bachofen. A partir de 1921, formou a comissão de redação, juntamente com as escritoras como Adela García Salaberry e Elisa Bachofen (1891-1976) e Alfonsina Storni.
Rompimento com o Partido Socialista Bertha deixou o Partido Socialista no ano de 1923 em protesto contra o líder do partido e os comentários antissemitas. Após sua saída, passou a dedicar-se a instituições de assistência vinculadas à imigração judaica. Em 1932, ingressou no Comitê Feminino do Hospital Judaico Ezra. No ano de 1933, juntou-se à OSFA, Organização Sionista Internacional de Mulheres, filial local da WIZO da qual foi vice-presidenta e, posteriormente, presidenta entre 1936 e 1948. Também foi diretora do departamento de publicidade e propaganda latino-americana da WIZO. Viajou por diversos países da América Latina como representante da WIZO, tornou-se especialmente ativa na proteção de mulheres e crianças, sobretudo diante da ascensão do nazismo. Visitou Chile, Uruguai, México, Haiti, República Dominicana e Guatemala. Teve proximidade com o presidente guatemalteco Jacobo Arbenz(1913-1971). Também esteve envolvida na Sociedade de Benefícios Mútuos dos Professores, um sindicato argentino de professores.
Falecimento Aposentou-se como professora em 1938. Faleceu em Buenos Aires em 1972.

