Fábia Oliveira

Apresentadora falou sobre a relação com a caçula, Eva; médicos explicam como medo de rejeição e necessidade de aprovação podem sobrecarregar

Fábia Oliveira

07/10/2026 10:10

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Angélica revelou recentemente que demorou a aprender a dizer “não” e que hoje procura ensinar à filha caçula, Eva, a estabelecer limites desde cedo. O relato da apresentadora chama atenção para um comportamento comum: aceitar convites, tarefas e responsabilidades não porque existe vontade ou disponibilidade, mas pelo medo de decepcionar ou desagradar.

Para o psiquiatra Ciro Jorge Nascimento, o problema começa quando o “sim” constante passa a ocupar o espaço das próprias necessidades: “Essa pessoa pode assumir mais responsabilidades do que consegue sustentar, deixar o descanso em segundo plano e viver em estado permanente de preocupação com as expectativas alheias. Com o tempo, podem aparecer irritabilidade, cansaço, alterações do sono, ansiedade, sensação de estar sobrecarregada e até ressentimento”, comentou.

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Respondendo às expectativas
A dificuldade também pode ter raízes em aprendizados construídos muito cedo. Segundo a neuropsicóloga Roberta Machado, algumas pessoas crescem associando aprovação à necessidade de corresponder às expectativas dos outros.
“Uma criança pode perceber, por exemplo, que recebe mais aprovação quando obedece, evita conflitos ou corresponde às expectativas dos adultos. Aos poucos, ela pode associar aceitação e segurança à necessidade de agradar”, explicou.
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O corte tem a base reta e algumas camadas para dar movimento
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Angélica estava com fios mais longos
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A apresentadora Angélica
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Angelica chora ao relembrar início da carreira
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Angélica e a dificuldade em dizer “não”: agradar a todos pode custar caro
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Sinais de alerta
É por isso que, mesmo na vida adulta, estabelecer um limite pode despertar culpa. A pessoa entende racionalmente que poderia recusar, mas teme que o outro fique magoado, interprete a atitude como egoísmo ou até se afaste.
A psicóloga, neuropsicóloga e psicanalista Cristiane Belmonte aponta um sinal importante: responder antes mesmo de pensar: “Um dos principais sinais é a pessoa dizer ‘sim’ automaticamente, antes mesmo de pensar se realmente quer ou pode fazer aquilo, e só depois perceber que está cansada, irritada, ansiosa, arrependida, mas seguir repetindo o comportamento mesmo assim”, revelou.
Estabelecendo limites
Cristiane contou que aprender a colocar limites na vida adulta é possível, ainda que o desconforto não desapareça imediatamente. Uma estratégia é evitar respostas instantâneas.
“Em vez de responder automaticamente, dizer ‘vou verificar e te respondo’. Esse pequeno intervalo já ajuda a perceber se há disponibilidade, vontade e condição reais para aceitar”, observou.
Ciro reforçou que estabelecer limites não significa se tornar egoísta ou deixar de ajudar: “Um limite saudável é justamente a capacidade de reconhecer até onde conseguimos ir sem comprometer o próprio bem-estar. Quando a pessoa consegue comunicar seus limites, ela administra melhor tempo, energia e responsabilidades”, enumerou.
O caso de Angélica
Ao tentar ensinar essa habilidade à filha, Angélica toca também em um aprendizado que pode começar na infância: “Aprender desde cedo que é possível expressar desconforto, discordar e estabelecer limites ajuda crianças e adolescentes a desenvolverem autonomia e comunicação mais assertiva. Isso precisa acontecer junto com o aprendizado de empatia, responsabilidade e respeito pelos limites dos outros”, esclareceu Roberta.
Cristiane resumiu a diferença: “Ensinar uma criança a dizer ‘não’ não é ensiná-la a fazer só o que quer ou a ignorar o sentimento do outro. É ajudá-la a entender que ela tem direito de expressar desconforto, fazer escolhas e proteger o próprio corpo e os próprios limites, aprendendo junto a respeitar o limite dos outros também”, apontou.
No fim, aprender a dizer “não” não significa deixar de ser generoso. Significa entender que preservar uma relação não deveria exigir abandonar continuamente as próprias necessidades.

