Nascido e criado no berço do humor brasileiro, o comediante Aluísio Junior retornou ao palco do Acerte ou Caia! com uma missão: a revanche. Se na primeira participação ele acabou indo para o temido buraco, dessa vez a história foi diferente: ele deu a volta por cima, eliminou os adversários e consagrou-se o grande campeão da edição. Mas o destino guardou uma última piada, movido pela coragem, ele topou o Desafio Final, e perdeu tudo.Em entrevista ao site oficial, Aluísio revela a inspiração por trás de seus personagens, conta quais são os dois maiores sonhos de sua vida e diz te Tom Cavalcante como sua maior inspiração.“O Tom é o grande amor da minha vida. Eu me inspiro nele em tudo, principalmente como ser humano. Por trás de todo o talento, ele é um cara gigante que ajuda muita gente, ele estendeu a mão para todos os humoristas do Ceará, levando desde a galera que estava começando até os mais experientes para o antigo programa dele. Para mim, o Tom é um astro, e estar perto dele me traz uma segurança enorme. Tem gente que fica nervosa ou com medo perto de uma lenda dessas, mas eu me sinto superprotegido porque sei que ali está o nosso grande mestre. Se eu tiver qualquer dúvida ou insegurança, sei que posso contar com ele, só de olhar para ele, já sinto firmeza. Para mim, ele é o número um do mundo!”.Antes de comemorar a vitória, ele já tinha enfrentado o Acerte ou Caia! em uma edição anterior, quando a ansiedade acabou atrapalhando o desempenho. Da primeira para a segunda tentativa, o que mudou foi a forma de lidar com a pressão das câmeras.“Na minha primeira participação, o nervosismo acabou pesando bastante. Já nessa segunda vez, consegui controlar melhor a ansiedade porque sabia que precisava de calma. Existe uma grande diferença entre o ritmo dos palcos e o da televisão. No teatro, nós dependemos muito da velocidade, do improviso e do timing rápido para entregar a piada. Na TV, o processo é outro: a gente consegue aproveitar mais o momento, essa postura mais tranquila me trouxe a concentração para focar no jogo e alcançar o objetivo de ser campeão”.Formado em psicologia, o comediante usou uma tática para se manter fora do radar dos adversários. A ideia era simples: só chamar atenção quando isso representasse alguma vantagem dentro do jogo, e não antes disso.“A minha tática foi jogar com a psicologia do programa! No começo, até o segundo participante ser eliminado, eu usei a estratégia da discrição, fiquei bem calado e quieto no meu canto para passar despercebido e não ser puxado para o jogo logo de cara. Depois, eu mudei completamente de postura: comecei a me soltar, a interromper com piadas e a meter umas tiradas engraçadas, fiz isso de propósito para mostrar que estava super à vontade e sem medo. É que a líder do momento geralmente foca em quem demonstra nervosismo ou fica travado na linguagem corporal. Como eu estava participando e parecia superconfiante, ela acabou escolhendo outras pessoas antes de mim. Fui um dos últimos a ser chamado e, quando finalmente chegou a minha vez, aproveitei a oportunidade e ganhei”.Sim, ele venceu, mas mesmo assim voltou para casa sem nenhum real no bolso. Com R$ 10 mil acumulados no jogo, Aluísio resolveu encarar o temido Desafio Final, e perdeu tudo! “Não ganhei nada! Você acredita? Saí de lá com uma mão na frente e outra atrás. É que a dinâmica do jogo é louca: quando eu finalmente consegui derrotar o líder, os baús dele já estavam vazios. Tudo o que me restou foi a minha vida no jogo e R$ 10 mil, decidi arriscar tudo e ir para o Desafio Final para tentar dobrar o valor, só que acabei errando e perdi tudo! No fim das contas, quando assumi o posto de líder para responder à última pergunta, não tinha mais um centavo ali. Eu estava com um medo real de dar alguma coisa errada e eu ainda ter que pagar o prejuízo do meu próprio bolso! Fui campeão, mas voltei para casa sem levar nenhum dinheiro”.O comediante não hesitou ao ser questionado sobre o que faria caso tivesse embolsado o valor máximo do prêmio, que pode chegar até R$ 300 mil: “Se eu tivesse ganhado, o plano era simples: dar de entrada no pagamento das minhas dívidas e tentar parcelar o resto que sobrasse. E se eu tivesse voltado para casa com aqueles R$ 10 mil, eu iria direto na Rua 25 de Março comprar qualquer coisa”, respondeu bem humorado. A trajetória pessoal de Aluísio ajuda a entender boa parte do humorista que ele se tornou hoje. Um dos capítulos mais marcantes dessa história aconteceu ainda no início da carreira, quando decidiu criar sua primeira personagem feminina dentro de uma família evangélica, no Ceará.“A minha mãe me deu muita força. A nossa família é da igreja, somos evangélicos, então quando criei minha primeira personagem feminina, muita gente à nossa volta demonstrou preconceito. Mas a minha mãe foi a pessoa que mais me apoiou, ela chegou para mim e disse: ‘Vá e corra atrás do seu sonho! Eu quero ver você brilhando lá em cima, igual àquele rapaz do cabelo liso e preto que eu assisto na televisão, que para mim é o melhor que existe’. E sabe quem era esse rapaz que ela tanto admirava? Tom Cavalcante”.A simplicidade dos personagens de Aluísio surge de sua capacidade de observação. As 18 personas do humorista ganham vida a partir de figuras reais, refletindo o comportamento e o cotidiano cearense.“Os meus personagens já existem na boca do povo, a gente só precisa parar para olhar! O Fortunato, por exemplo, nasceu de memes que rolam na internet toda sexta-feira. Todo mundo conhece a piada do: ‘Sextou! Alguém conhece um agiota que não bata?’. Aí eu peguei essa ideia e criei o personagem. Ele é aquele coronel do interior que empresta dinheiro. Claro que ele não é um agiota, porque isso é crime e não pode dizer, mas ele faz os empréstimos dele lá, e ele é um cara que não bate, que é crente”, conta.No total, ele tem 18 personagens, e todos nasceram assim, observando o comportamento das pessoas. “O meu personagem bêbado, por exemplo, bem no estilo do João Canabrava do Tom Cavalcante, é o retrato perfeito daquele cara clássico que a gente vê no bar de esquina. Já outra foi totalmente inspirada em uma secretária que trabalhou na minha casa: ela era cheia de piadas e sempre estava certa. O segredo é esse: o personagem já está pronto no dia a dia das pessoas, o nosso papel como humorista é apenas observar, juntar e montar o tipo no palco!”.Com quase três décadas de uma carreira que começou diretamente nos holofotes, o humorista domina os mais diversos públicos e formatos. Da agilidade exigida pelas redes sociais à resistência necessária para comandar os palcos do teatro, ele transita com naturalidade entre a internet e o ao vivo. Mas, é nos estúdios que ele encontra a sua maior paixão. “Eu sou um homem da televisão. Em 1998, logo no meu primeiro mês de carreira, eu já estreei na TV e nunca mais saí. De lá para cá, deu para entender bem que a diferença de ritmo entre essas plataformas é brutal. No TikTok e no Reels, o jogo é a velocidade, a gente precisa pegar uma notícia, um acontecimento ou uma piada rápida e resumir tudo em um conteúdo viral de 15 ou 20 segundos. Já nos palcos, o desafio é segurar o público por mais de uma hora, então o espetáculo precisa ser completo, com muitas piadas, improviso, interação com a plateia, música e textos atuais. A grande vantagem do palco e da internet é que não temos obrigações; se a gente quiser mudar a piada no meio do caminho, a gente muda”, explica.Porém, ele reforça que na televisão é diferente: “Quando tem plateia no estúdio, fica mais mágico ainda. Existe todo um roteiro a se cumprir e uma direção para seguir, você até pode sair um pouco do script, mas precisa saber voltar. É fantástico porque, quando aquela luz vermelha da câmera acende, você imagina que tem milhões de pessoas te assistindo naquele exato segundo. Essa magia de ser dirigido e alcançar tanta gente é uma sensação única e a consagração na vida de qualquer artista”.Psicólogo, Aluísio não separa a profissão do palco: uma serve de apoio para a outra o tempo todo. Durante os shows, é a leitura do comportamento da plateia que orienta as decisões de improviso e define se uma piada continua ou é trocada na hora.“Eu escolhi a psicologia porque quando estou fazendo um show, o meu foco é observar os comportamentos da plateia, e a psicologia é exatamente isso, o estudo do comportamento humano. Se eu começo a falar sobre relacionamentos e percebo que alguém na plateia ficou desconfortável ou não está rindo muito, eu já mudo na hora para o tema de filhos e crianças. Se vejo que ainda não engrenou, pulo para a política. Essa leitura rápida me ajuda a sacar na hora o que o público está sentindo. A psicologia me trouxe uma sensibilidade muito grande para não desmerecer ninguém, eu não faço aquela comédia de apontar para alguém e dizer que o cara é feio, magro, gordo, alto ou baixo. Hoje a gente já sabe o que é certo e o que é errado fazer”.E completa: “Como eu costumo dizer: a gente não pode falar da boca para fora o que as pessoas vão escutar do coração para dentro. Às vezes, o humorista usa uma piada de mau gosto com uma pessoa só para fazer o resto do teatro rir, mas eu nunca usei esse artifício e agora uso menos ainda. Mais do que politicamente correto, o meu humor é delicadamente correto. Tenho essa preocupação viva de não ofender ninguém, para que todo mundo saia de lá feliz. Afinal, o verdadeiro lema do humor é sorrir para gerar felicidade!”.A escolha pela formação aconteceu ainda jovem, em uma época em que boa parte dos primos seguia para cursos mais tradicionais, como Direito e Engenharia. Foi justamente em uma reunião de família, que o comediante decidiu contrariar as expectativas e assumir o sonho de virar humorista.“Eu resolvi fazer psicologia porque eu gosto demais do ser humano. Quando decidi seguir esse caminho, meus primos todos iam ser advogados ou engenheiros. Em uma reunião de família, em pleno Natal, todo mundo começou a se gabar: ‘Meu filho vai ser engenheiro’, ‘Meu filho vai ser doutor’... E quando me perguntaram o que eu seria, eu mandei: ‘Humorista!’. Eu não fazia a menor ideia de quanto um humorista ganhava, mas eu queria aquilo porque vi um comediante fazendo todo mundo rir e percebi, psicologicamente, a felicidade que ele proporcionava na fisionomia daquelas pessoas. Vi que aquilo fazia muito bem, e a psicologia também faz bem! Ela te ensina a entender a demanda do outro, a acolher, respeitar, dar uma força e um afago através das palavras. Além de fazer sorrir, eu queria algo que trouxesse ainda mais sentido para a minha vida, eu queria ter propriedade para, além da brincadeira do palco, poder dizer para alguém: ‘Estou aqui para te ajudar, te escutar e te acolher’. É um trabalho completo! Inclusive, o meu TCC foi justamente sobre isso: o uso do humor como ferramenta terapêutica”.A sensibilidade que Aluísio Júnior dedica aos seus personagens e pacientes também se reflete em sua postura no futebol. O humorista e psicólogo escolhe o caminho do respeito pelo rival Ceará, colhendo como fruto a admiração de atletas e torcedores de ambos os lados. Ainda assim, ele não esconde que a paixão pelo Fortaleza cobra seu preço nos dias de derrota.“Meu time tá tão ruim que eu não tô conseguindo nem ser ser humano e torcedor ao mesmo tempo, tem hora que eu quero sumir! Como sou psicólogo, eu procuro abordar a felicidade dentro do futebol. Eu gosto de todos os times e, claro, o Fortaleza é o grande amor da minha vida, mas eu não xingo o nosso rival, que é o Ceará. Não faço vídeos menosprezando ou rebaixando o outro time; eu gravo conteúdo sobre o meu, tanto quando ele ganha quanto quando ele perde. Por causa dessa postura, sou muito bem aceito e respeitado por todas as torcidas, para você ter uma ideia, no meu consultório de psicologia eu atendo tanto jogador do Ceará quanto do Fortaleza, não tenho a menor discriminação. Mas vou te confessar que aguentar a provocação dos amigos é difícil! Quando o time perde, eles ligam a qualquer hora da madrugada mandando meme e piada. A gente tem que levar as coisas de uma forma mais esportiva, literalmente, aguentar a brincadeira e esperar a próxima oportunidade para descontar!”.Para os próximos anos, os planos dele caminham em duas direções que resumem bem os lados de sua carreira: a psicologia e o humor. De um lado, um projeto social ligado à memória da mãe; do outro, o sonho antigo de voltar aos holofotes da televisão nacional.“Se tudo de certo, no ano que vem vou abrir uma clínica social sem fins lucrativos chamada IAPS, Instituto de Psicologia Aureni Pereira de Souza, uma homenagem à minha falecida mãe. O objetivo dela será acolher e atender os pais e as mães de crianças autistas, a nossa missão vai ser cuidar de quem cuida. Esse é um projeto totalmente meu, sem ajuda do governo, mantido com o apoio de empresas privadas. Já como realização profissional no humor, o meu grande sonho é receber uma ligação de alguém dizendo: ‘Aluísio, quer voltar para a televisão e fazer um programa comigo como antigamente?’. O projeto da minha vida seria trabalhar novamente com o Tom Cavalcante. Esses seriam os dois grandes projetos da minha vida”.Depois de sentir na pele a pressão de encarar o buraco do Acerte ou Caia!, Aluísio já tem em mente quem gostaria de ver do outro lado do jogo em uma próxima edição. A lista de convidados passa pela música, pelo futebol e, é claro, pelo maior ídolo dele na televisão: “Eu ganharia com certeza! Agora eu já peguei o macete de como a dinâmica funciona, já peguei a ginga e o molho do jogo. Se fosse para escolher, eu convidaria três pessoas que eu gosto muito: o Gusttavo Lima, o Carlinhos Maia e o Bebeto, o ex-jogador de futebol da seleção brasileira. Mas o meu sonho mesmo era ver o Tom Cavalcante caindo naquele buraco! Eu até ia desafiar o Tom no programa, mas fiquei tão nervoso no final que acabei esquecendo. Se eu estivesse mais calmo, ia dizer: ‘Eu te dou R$ 10 mil se você cair no buraco!’. Acabei esquecendo na hora, mas a minha torcida secreta era para ver ele caindo lá”.*Estagiário sob supervisão de Juliana LambertO Acerte ou Caia! é uma produção da Boxfish, com direção de David Feldon e direção artística de Cesar Barreto, que vai ao ar nas tardes de domingo da RECORD.Todas as edições do programa podem ser acessadas na íntegra no RecordPlus, a plataforma de streaming da emissora.





































































